Desde o início da atual administração municipal, em 1º de
janeiro deste ano, a saúde pública de Itapajé – que já era alvo de constantes
reclamações – sofreu retrocessos importantes. O principal deles diz respeito ao
combate à pandemia provocada pela COVID-19.
No hospital municipal João Ferreira Gomes (Fusec), a falta de
médicos em número suficiente é um potencial fator de disseminação do vírus, uma
vez que apenas um médico atende durante a maior parte dos plantões. O
profissional, além de fazer o acompanhamento de eventuais pacientes internados
com a doença, ainda é obrigado a fazer o atendimento de quem chega à unidade com
outras patologias.
Nesta semana um vídeo de uma mãe de uma criança autista que
reclamava na demora do atendimento viralizou nas redes sociais. A criança
precisou esperar horas para ser atendida porque a médica plantonista se
revezava no atendimento de pacientes internados e daqueles que chegavam em
busca de socorro.
É urgente que a administração de Itapajé contrate mais médicos
para atendimento na Fusec. Para isso não é necessário seleção ou concurso, uma
vez que o município vive uma crise de saúde.
Além disso, medidas antes adotadas pela administração anterior
poderiam ser retomadas, como por exemplo, a separação do setor de maternidade
dos demais atendimentos hospitalares, reduzindo os riscos de que as gestantes e
os recém-nascidos venham a contrair a doença.
A reativação de um posto sentinela, onde todos os cidadãos
com sintomas de COVID-19 pudessem buscar o primeiro atendimento também é fundamental.
A recriação de um disk-COVID também facilitaria a vida dos munícipes, pois
teriam um canal de orientação sobre onde se dirigir em casos suspeitos.
Exigir da população o cumprimento de medidas rígidas de
isolamento social faz parte dos protocolos de combate à pandemia, mas a gestão
terá maior autoridade para delegar tais obrigações quando começar a fazer sua
parte.
Mardem Lopes
DRT 2652 CE
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